A busca da felicidade: Uma questão filosófica

Como devemos viver para ter uma boa vida? O que torna nossa vida valiosa? Essas questões éticas mais básicas foram colocadas pela primeira vez na Grécia Antiga, cerca de 25 séculos atrás. Desde então, nunca deixaram de dividir opiniões ou as pessoas que as defendem.

Visões sobre o que constitui a felicidade abrangem o mais amplo espectro. E, nesse caso, infelizmente, a diferença de opinião realmente importa. Porque visões nitidamente divergentes sobre a felicidade afetam de forma mais ou menos direta o modo como nos comportamos e interagimos uns com os outros como seres sociais. Muito sofrimento humano surgiu da discordância sobre essas questões básicas.

Para o filósofo grego Aristóteles, assim como para Sócrates e Platão antes dele, a questão ética crítica não era tanto “qual é a coisa certa a fazer”, mas “qual é a melhor forma de viver”. Ele aceitou a visão grega usual de que o bem maior do homem é a eudaimonia: termo geralmente traduzido como “felicidade”, porém mais próximo do significado de “florescimento” – um estado mais objetivo e menos psicológico do que a palavra “felicidade” sugere, compreendendo sucesso, satisfação, autorealização e um nível adequado de conforto material.

Como Aristóteles acreditava que a essência do homem é sua capacidade de raciocinar, a completa realização de seu potencial distintivamente humano e, portanto, sua eudaimonia, consistiria no “exercício ativo das faculdades da alma em conformidade com a virtude ou excelência moral”.

Já o filósofo Epicuro identificou felicidade com prazer, embora não o tipo de prazer sensual, mas ações e percepções dos sentidos que nos proporcionam prazer de diferentes formas e intensidades.

Outros, embora concordando que a felicidade fosse o bem supremo, seguiram Aristóteles ao vê-la como um estado objetivo de florescimento ou bem-estar humanos, em vez de um estado mental subjetivo.

Sócrates afirmou que a vida irrefletida não vale a pena ser vivida. Segundo essa linha de raciocínio, é essencial que pensemos por nós mesmos e reflitamos constantemente sobre o que torna nossa vida valiosa. Caso contrário, corremos o risco de viver não por valores que escolhemos para nós mesmos, mas por aqueles que nos são impostos pelos outros.

Nesse particular, o filósofo Immanuel Kant, proclamava que a autonomia pessoal e sobretudo a liberdade de pensamento e expressão eram fundamentais para que os seres humanos sentissem a felicidade dentro deles.

Portanto, nós, seres humanos, estamos literalmente em mundos diferentes no que diz respeito à nossa compreensão de nossas origens e natureza, de onde viemos e as implicações que isso tem na forma de vivermos nossa vida.

Infelizmente, até que possamos chegar a um consenso sobre o que nos torna felizes, há pouca perspectiva de um acordo na questão mais realista de como viver pacificamente no mundo e se sentir na plena felicidade.

Professor Darlon

Professor Darlon

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