Filosofia para viver ou sobreviver

Viver implica estar consciente de qualquer decisão e das escolhas que se fazem em desafios. Viver é enfrentar as incertezas, os riscos, é confrontar-se com os outros, quer sejam eles os próprios familiares, na busca de compreender e ser compreendido.

O ato de viver, vai na contramão do sobreviver. Enquanto viver é sintonizar um bem-estar que envolve aspectos psicológicos, morais, de solidariedade, de convívio, sobreviver é estar privado de alegrias.

Sobreviver é ser tratado como um objeto de aceleração, se habituar ao cronômetro, que não permite sentir, fruir o viver. Ser humano exige o viver, enquanto saber bem viver, ultrapassando o sobreviver.

Viver bem envolve a prosa e a poesia, é uma arte de viver que supera a fragmentação e a racionalidade no equilíbrio com a loucura e a emoção ligadas à complexidade da vida.

Viver é viver como indivíduo, enfrentando os problemas de sua vida pessoal, é viver como cidadão de sua nação, é viver também em seu pertencimento ao gênero humano. Certamente, ler, escrever, calcular, agir, ouvir, observar, refletir, respeitar, sentir, perceber, perdoar são coisas necessárias ao viver.

Sentir tornou-se condição distante, os questionamentos sobre o mundo, a realidade, a verdade, a vida, o homem, não são vivenciados. Não há no humano um controle sobre si mesmo, na medida em que não se experiencie o humano que se é.

 Vivemos uma vida racional para não assumir riscos. Mas a vida, em essência, é um tecido mesclado: como viver a prosa sem a poesia.

Por esse motivo, a filosofia deveria ser o motor guia para viver, questionar o sentido humano da vida e abrir a todos a necessidade existencial de pensar, sentir, pensar-se, sentir-se, pensar o outro, sentir o outro – encarar de frente a certeza sobre a incerteza de viver.

No começo do século XX, as incertezas foram colocadas no cerne da pesquisa racionalista. Com a Física Quântica, o determinismo passa a ser insustentável. A incerteza se apresenta como lógica e empírica, rompe com o vício das certezas. O que aparenta ser verdade suscita dúvidas em virtude de teorias que já se encontram obsoletas. A especificidade do saber já não consegue responder à complexidade dos problemas globais.

Portanto, estamos vivendo uma crise de civilização, uma crise de sociedade, uma crise de democracia nas quais se introduziu uma crise econômica, cujos efeitos agravam as demais crises.

Assim, ao adotarmos uma filosofia para viver, não vamos por si só mudar a sociedade, mas conscientizar as pessoas para enfrentarem seus destinos e o seu próprio viver, e ainda, a compreender as complexidades humanas, históricas, sociais, planetárias e a se compreender uns aos outros.

Professor Darlon

Professor Darlon

Educar é investir em um futuro melhor para a nossa sociedade.

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