A agricultura familiar no sul do Brasil

A agricultura e o agricultor familiar são na verdade conceitos construídos, para que os sujeitos pudessem ser enquadrados num processo institucional e reconhecidos perante a sociedade (NEVES, 2007).

O termo agricultura familiar originou-se de vários esforços conjuntos, entre alguns intelectuais, políticos e sindicalistas, os quais estavam articulados com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. Para Guzmán e Molina (2013, p.32) “o ideal de uma revolução popular e camponesa seria cristalizada numa federação de comunidades rurais, livremente unidas.” Esse conjunto de forças também tinha o apoio da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (NEVES, 2007).

Nesse sentido, a pressão social por uma resposta política aos tantos agricultores desassistidos no campo e com denominações diversas surtiu efeitos, politicamente consagrou-se a categoria agricultor familiar.

No entanto, a agricultura familiar emergiu com “significados tão amplos e tamanha heterogeneidade de usos, que ela só pode ser compreendida se as ambigüidades, as indefinições e as contradições forem então necessariamente defendidas” (NEVES, 2007, p.17).

 Opinião também apontada por Buainain (2007), para ele, o termo agricultura familiar empregado no Brasil abarca sujeitos em situações bem distintas, incluindo desde aquelas famílias que vivem em minifúndios, numa situação de pobreza extrema, como aqueles produtores que estão inseridos no agronegócio com intuito de produzir para gerar renda.

Na mesma concepção, Lamarche (2012) pontua que na agricultura familiar estão incluídos desde os camponeses e as populações tradicionais, os quais possuem raízes históricas e são resultados de uma continuidade, até aqueles agricultores familiares modernos, oriundos dos processos de modernização do campo, considerados pelos autores os “novos personagens” da categoria.

 Por isso, Lamarche (2012, p. 2) considera a agricultura familiar uma categoria genérica, que “assume, no tempo e no espaço, uma grande diversidade de formas sociais”.

A Região Sul do Brasil é conhecida nacionalmente pelo peso social, econômico, político e cultural da agricultura familiar na sua formação e desenvolvimento. De fato, a diversificação da agricultura, a combinação de rendas agrícolas e não-agrícolas, a busca de uma melhor qualificação profissional e de novas alternativas fizeram do sul do país a região com índices de desenvolvimento humano mais elevado em relação à média nacional.

 O próprio padrão de ocupação do território, com cidades de pequeno e médio porte oferecendo boas condições de vida e oportunidades para a população local, não pode ser desvinculado da presença e dinamismo da agricultura familiar.

A análise do perfil da agricultura familiar revela que esta tem um grande potencial para continuar contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento local, sendo necessário, para tanto, reconhecer o seu papel no processo de tomada de decisões e remover alguns obstáculos que vêm tolhendo sua capacidade de expansão nos últimos decênios.

Professor Darlon

Professor Darlon

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